Vale a pena investir em qual curso? Pós-graduação, mestrado ou doutorado?

Por Carolina Bozzi
Fotos: Divulgação

Pesquisa realizada pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) revela que a quantidade de mestres e doutores no Brasil aumentou mais de 5 vezes desde 1996. Além disso, o estudo também mostra que grande parte dessa expansão aconteceu fora do eixo Rio-São Paulo. Esses dados reforçam que a preocupação do brasileiro com programas de especialização é cada vez maior, já que estes possibilitam melhor formação acadêmica e maior acesso às boas oportunidades de trabalho.

Atualmente, o mercado de trabalho está cada vez mais exigente. Muitas vezes, para conseguir um bom emprego é necessário adquirir novos conhecimentos constantemente. Pós-graduação, mestrado ou doutorado são algumas das opções para quem deseja expandir o conhecimento na área de formação. Mas, muitas pessoas não sabem qual opção escolher.

Então, para ajudar a esclarecer as dúvidas, conversamos com o Professor, doutor e também coordenador de pesquisa e pós-graduação da Universidade Metodista de São Paulo, Davi Barros, a professora e vice coordenadora de mestrado em educação da USCS – Universidade Municipal de São Caetano do Sul -, Ana Silvia Aparicio, o coordenador do curso de gestão de RH da faculdade Unicesumar, Luciano Pereira e a gerente do SENAC de Santo André, Erika Rohbacher.

Para começar, você sabe qual a diferença entre pós-graduação, especialização e MBA? De acordo com Prof. Davi Barros, pós-graduação é um termo usado para falar sobre cursos formais após a graduação. “Temos dois níveis na pós-graduação: o chamado stricto sensu (sentido estrito), expressão latina para designar programas que envolvem o Mestrado e o Doutorado e o termo lato sensu (sentido amplo), que envolve cursos de especialização. O MBA (sigla em inglês para Master Business Administration) para efeitos legais, no Brasil, é considerado especialização (ou pós-graduação lato sensu), contendo carga horária maior do que o mínimo de 360 horas exigidas pelo Conselho Nacional de Educação”, explica.

E a diferença entre mestrado e doutorado? Qual é? De acordo com Davi, os dois pertencem ao nível de pós-graduação Stricto Sensu. “O Mestrado é um nível anterior ao Doutorado, no qual o aluno busca aprofundamento acadêmico-científico, em geral quando pretende fazer carreira no magistério superior. Para concluir o curso, precisa defender uma dissertação sobre tema da área escolhida para estudar e pesquisar. Já o Doutorado é a busca da consolidação científica como pesquisador, e o curso se completa com a defesa de uma tese inédita, que deve contribuir para o avanço da ciência no campo escolhido pelo aluno”, revela.

Ana Silvia, da USCS, explica que a principal diferença entre o mestrado e o doutorado está no grau de estudos e aprofundamentos da pesquisa. “O doutorado oferece um conhecimento teórico mais profundo do que no mestrado, sendo que a tese elaborada pelo estudante contém alguma contribuição inédita para o avanço do conhecimento na área em que está desenvolvendo a pesquisa. O mestrado, em geral com duração de dois anos, requer do estudante a elaboração e defesa da dissertação de mestrado. O doutorado tem geralmente duração de 4 anos e, para a obtenção do título, é obrigatória a defesa da tese de doutorado”, afirma.

Ana explica que há dois tipos de mestrado e doutorado – o mestrado/doutorado acadêmico e o mestrado/doutorado profissional. Segundo a professora, o mestrado profissional foi regulamentado em 1998 e o doutorado profissional, em 2017 pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). De acordo com Ana Silvia, essa modalidade enfatiza os estudos e pesquisas voltadas à qualificação profissional para que os estudantes possam aprofundar os conhecimentos teóricos e práticos para elaborar, implementar e avaliar propostas no campo profissional que atuam. “É importante destacar que tanto o mestrado quanto o doutorado profissional têm a mesma validação que a modalidade acadêmica, inclusive para o exercício da docência no Ensino Superior, como todo programa Stricto sensu, e com o mesmo nível de exigência. De acordo com dados da Capes, houve um aumento de 77% no número de cursos de mestrado profissional e de 17% no mestrado acadêmico, no Brasil. Ou seja, de 2007 para 2017, a oferta passou de 184 para 771 cursos. Acredito que essa procura se deve ao fato de o mestrado profissional oferecer condições para que o profissional faça pesquisa e o prepare para aplicá-lo no seu campo de trabalho”, acrescenta.

Para Luciano Pereira, coordenador do curso de gestão de RH da Unicesumar, os critérios para fazer uma especialização são variados. “Sugiro o estudante analisar sua carreira profissional e quais as tendências de oportunidades para os próximos anos e assim, escolher algum curso que possa contribuir com a sua formação, em seguida, analisar se há algum assunto visto na graduação que deseja se aprimorar. Sugiro ainda verificar a atualidade dos conteúdos estudados na graduação e se existe a necessidade de buscar atualização e novos conhecimentos e por fim, verificar quais temas ou áreas tem mais afinidade”, explica.

A escolha certa

“Há pessoas que buscam profissões rentáveis, vislumbrando galgar posições sociais elevadas ou mesmo ficar ricas. Há outras que procuram profissões de acordo com seus sonhos e aptidões, muito mais preocupadas em ser felizes fazendo na vida o que gostam. É escolha difícil para o jovem que ainda não tem certeza do que realmente gosta. Alguns começam um curso e descobrem depois que não têm vocação para aquela profissão. Se insistirem, poderão se frustrar posteriormente e se tornarem infelizes. Os espertos decidem logo mudar para algo que gostem e tenham oportunidade de ser bem-sucedidos e satisfeitos com a escolha que fizeram. Ao chegar o momento da escolha, o ideal é o jovem procurar conhecer antes o que fazem realmente os profissionais e se é isso que ele quer para sua vida. Tudo tem um preço, ou um sacrifício. Nem tudo são flores”, explica o Prof. Davi, da Universidade Metodista.

Segundo Davi, fazer uma segunda graduação é gastar tempo e dinheiro. O professor recomenda que o aluno faça pós-graduação, mestrado ou doutorado dentro da carreira que pretende seguir. Segundo ele, hoje em dia, um diploma pode significar pouca coisa. “O que mais conta nesse competitivo mercado de trabalho, diante da velocidade com que o conhecimento fica obsoleto, e do rápido avanço da tecnologia é a capacidade de adaptação do profissional aos novos conhecimentos que vão surgindo, de sua interação habilidosa com as mídias atualizadas do momento e de sua disposição para trabalhar colaborativamente com outras pessoas”, afirma.

De acordo com Ana Silvia, o primeiro passo para ingressar em uma pós-graduação é escolher um curso lato sensu ou stricto sensu, e analisar a disponibilidade e o interesse do aluno na hora de se dedicar aos estudos. “O graduado que já possui uma ideia clara da área em que pretende aprofundar seus conhecimentos, tem uma rotina de dedicação a estudos e já tem certa familiaridade com a pesquisa e reflexão teórica pode buscar um mestrado sem necessariamente passar por um curso de especialização. Já o graduado que busca aperfeiçoar seus conhecimentos científicos, ter mais familiaridade com as técnicas da pesquisa, ou ainda decidir sobre em qual área pretende se especializar, o mais adequado é realizar, primeiramente, um curso de especialização ou MBA, dependendo da área”, explica.

Assim como Davi, Ana Silvia orienta que não há necessidade de fazer uma segunda graduação. “As áreas estão cada vez mais interdisciplinares, mesmo que um graduado em Pedagogia, por exemplo, queira aprofundar seus estudos no campo da Psicologia, ele pode ingressar em curso de pós-graduação (especialização ou mestrado) voltado a essa área, sem necessariamente ter que realizar outra graduação”, afirma.

Para Erika Rohrbacher, do SENAC, para dar continuidade na formação, o aluno deve verificar qual a carreira desejada, a disponibilidade de tempo e o investimento financeir que ele terá. “Os cursos de especialização são voltados a profissionais que querem um aprimoramento mais rápido e estão engajados no mercado de trabalho. Normalmente os cursos de mestrado e doutorado são voltados a profissionais que buscam carreira acadêmica e/ou se interessam pela pesquisa e produção de conhecimento”, explica.

Com relação ao mercado de trabalho, Ana acredita que há muito mais exigência com relação à formação dos profissionais. “O mercado de trabalho valoriza quem se dedica ao desafio de continuar os estudos, pois o profissional pesquisou um problema, estudou, teve mais dedicação com a sua formação profissional. Hoje, quando se concorre a uma vaga no mercado de trabalho, o diferencial exigido é a pós-graduação. Além disso, um candidato pós-graduado, principalmente no Stricto Sensu, pode encontrar melhores oportunidades e remuneração em relação a outros candidatos que não possuem essa formação”, afirma.

Para Luciano, a escolha de uma segunda graduação depende da área de atuação do aluno. “Se a área de atuação exige um conhecimento complementar, cabe fazer uma outra graduação, contudo, a pós-graduação é sempre uma boa opção, pois traz um diferencial no currículo sem contar os aprendizados que podem ser agregados na carreira”, explica.

Sobre o mercado de trabalho, o coordenador concorda que há exigências de uma formação continuada. “Todo profissional deve manter uma postura de contínua formação e aprendizado. Isso mostra o quanto o profissional se dedica e investe na sua carreira e o mais importante o quanto esse profissional se torna diferenciado, acumulando conhecimentos e experiências de diferentes cursos, contudo, cabe uma observação: de nada vale fazer 3 graduações e 5 pós-graduações se esses conhecimentos e aprendizados não são colocados em prática. É preciso que façamos um link entre aquilo que aprendemos nos cursos de graduação e pós com a realidade do dia a dia, ou seja, precisamos encontrar formas de aplicar os conhecimentos, inovar um método de trabalho, agregar valor na atividade que realizamos, somente assim um profissional realmente poderá obter vantagem competitiva no mercado de trabalho”, afirma.

Para Erika, é fundamental verificar alguns fatores na hora de escolher o curso. Entre eles, a escolha de boas Instituições para obter uma formação adequada. “Sem dúvida os profissionais que optam por cursos em instituições de renome saem na frente. A qualidade do curso, diz respeito a abordagem, conteúdo e um corpo docente diferenciado”, finaliza.

Para mais informações sobre cursos das universidades, acesse os sites:

Universidade Metodista de São Paulo: http://portal.metodista.br

Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS): http://www.uscs.edu.br

Unicesumar: https://www.unicesumar.edu.br

SENAC Santo André: http://www.sp.senac.br

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