O que comer e o que evitar durante a amamentação?

Da Redação

A Organização Mundial da Saúde traçou como meta alcançar o ano de 2025 com pelo menos 50% de aleitamento exclusivo até os seis meses de vida. Por isso, a amamentação foi um dos primeiros temas a serem selecionados para fazer parte das campanhas mensais da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

Reprodução Internet: Gisele Bundchen se prepara para mais um dia de trabalho. Enquanto se apronta, amamenta a pequena Vivian.

O coordenador das Campanhas da SPSP, Claudio Barsanti, lembra que dentre tantos assuntos importantes, definir apenas doze temas, um para cada mês do ano, foi um grande desafio. “Certamente o aleitamento materno não poderia ficar de fora, tendo em vista os inúmeros benefícios da amamentação, não somente na primeira fase da vida, mas também na saúde futura. Hoje sabemos que muitas doenças crônicas, alergias ou alterações orgânicas podem ser evitadas ou terem os riscos reduzidos graças ao ato de amamentar”, ressalta Barsanti. “Embora exista a possibilidade de uma alimentação que não seja o leite materno, esta escolha deve ser sempre exceção. A regra é a amamentação que, entre outras vantagens, cria um elo de amor entre a mãe e o bebê”, acrescenta o coordenador.

“É importante enfatizar que no período de amamentação, a alimentação, noites de sono regulares e uma ingestão adequada de líquidos são fatores que podem influenciar na produção do leite materno pela mãe. É interessante, neste período, variar a alimentação em cores e sabores, isso faz com que a mãe tenha um aporte maior de nutrientes, contribuindo de forma positiva  para a sua saúde e a do bebê. Uma alimentação pobre em nutrientes pode deixar a mãe desnutrida e isso não é interessante, pois pode gerar uma piora na disposição, o estresse oxidativo aumenta e a produção do leite pode ser prejudicada”, alerta a nutricionista Marinna Reis.

A atriz Rachel McAdams aproveita para tirar leite com bombinha durante ensaio para a Revista Girls Girls Girls

Veja algumas dicas da nutricionista para melhorar a alimentação nesse período:

Visto que a hidratação tem um papel de destaque neste período, a ingestão de líquidos ricos como chás (os que são liberados) e sucos (principalmente os que unem frutas, vegetais e sementes) são fortes aliados na produção do leite. Em relação à alimentação balanceada para as mulheres em fase de aleitamento recomenda-se uma ingestão adequada de macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídeos), além de vitaminas e minerais. Prezar pela naturalidade dos alimentos também é algo a ser levado em consideração, ou seja, desembalar menos e descascar mais.

No período de amamentação é comprovado que alguns alimentos influenciam no bem-estar do bebê. Legumes (cozidos, crus), frutas, suco de frutas e ovos são riquíssimas fontes de nutrientes além de atuarem na prevenção de alergias futuras.

Ainda na esfera alimentícia, a ingestão de alguns alimentos específicos deve ser moderada. Como é o caso de alimentos ricos em enxofre (feijão, couve, brócolis, rabanete, couve-flor) que, mesmo sendo muito saudáveis, quando consumidos em excesso podem gerar cólicas e desconfortos gástricos no bebê. O consumo de leites bem como seus derivados e alguns condimentos (açafrão, pimenta, cacau) também necessita de atenção por parte das mães. Alimentos como café, bebidas alcoólicas, fast-foods em geral, devem ser evitados.

Liv Tyler clica esse momento tão especial com a filha Lula Rose

Desmistificar é preciso!

Quem nunca ouviu algum familiar mais tradicional compartilhar suas teorias sobre como alguns alimentos e bebidas aumentam e/ou diminuem a produção de leite materno? Quantas mães e avós não consideram as cervejas pretas, caldo-de-cana e canjica como aliadas poderosas neste período?  Para Marinna Reis esses credos populares precisam ser desmistificados o quanto antes. “Não existem alimentos específicos que aumentam ou diminuem a produção de leite. O que garante que essa produção seja eficaz são; boa pegada do bebê e a sua sucção, baixo estresse e ansiedade na mãe e hidratação correta”, a especialista ainda aponta como quantidade ideal de consumo de água a de 4 litros por dia.

Outras desmistificações são:

  • A amamentação não faz mal à mãe. Pelo contrário, o ato de amamentar ajuda a mãe a perder peso mais rápido após o parto, além de diminuir o sangramento intrauterino no pós-parto;

  • A amamentação não causa dor nos seios da mulher. Pode ocorrer um inchaço no seio e o vazamento do leite, além de um desconforto físico, mas se a mãe tiver sido corretamente orientada antes, a pega correta (relação da boca do bebê com a mama da mãe) e uma massagem no seio são suficientes para garantir que não haja maiores dificuldades;

  • O leite nos primeiros dias após o parto não é mais fraco. No começo é normal um volume mais baixo e uma coloração diferente, o qual chamamos de colostro. Só depois que a produção aumenta;

  • Mulheres que amamentam não devem seguir uma dieta muito restritiva. A alimentação da mãe deve ser equilibrada e variada;

  • Excesso de exercício físico aliado a dieta restritiva podem prejudicar a produção do leite materno.
    Essa série de cuidados mostra-se necessária na medida em que o leite materno é de extrema -e vital- importância. Visto que o leite produzido pela mãe contém todos os nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento do bebê. “Além disso, o leite materno contribui para a formação da resposta imunológica (contém imunoglobulinas) e também atua na manutenção da microbiota (função intestinal) do bebê”, conclui a nutricionista Marinna Reis.

%d blogueiros gostam disto: