Atenção para a alimentação dos filhos

Por Thaíssa Alvarenga

Quando o assunto é alimentação infantil sempre surgem várias dúvidas. Essa é uma questão frequente também entre as famílias de crianças com síndrome de Down. Em todas as idades é importante o
acompanhamento médico, mas para quem tem filho pequeno e ainda está se familiarizando com o assunto o acompanhamento de um pediatra é fundamental. No meu caso, a Dra. Patricia Salmona fez esse trabalho desde a introdução alimentar.

Com o Francisco iniciamos as papinhas com 11 meses de idade, pois a dentição da criança com síndrome de Down é mais lenta. Começamos com as frutas amassadinhas, sucos e depois de um mês as papinhas salgadas. Aos poucos fomos liberando os alimentos amassados e após um ano foram introduzidos pedaços pequenos.

É importante mencionar que a proteína sempre foi oferecida em pedaços menores, pois a criança com Síndrome de Down tem a hipotonia (flacidez muscular) e o cuidado com os engasgos deve ser frequente. Com as meninas foi mais tranquilo, já que havia vivido a experiência com o Chico, essa que demandou um cuidado maior. Consegui amamentar os três de forma exclusiva até os quatro meses e depois tive que complementar com fórmula, pois diminuiu muito a produção do leite. O que encarei com tranquilidade.

Seguimos uma alimentação balanceada com frutas, legumes, cereais integrais e nada de açúcar até os dois anos. Tudo é questão de adaptação, se você tiver um estilo de vida mais saudável será bem mais
fácil. Lá em casa, a criançada come quinoa, castanhas, cacau em pó, sucos naturais e água de coco natural. Na semana não damos nada de fritura. Lata de refrigerante nunca nem viram. Eles só comem as tais “besteiras” quando vão às festas de aniversários de amigos e, mesmo assim, o Chico não consome nada que tenha corante.



Quando conheci a nutricionista Vitória Siqueira, em um passeio ao Rio, ela que na ocasião era responsável por toda alimentação de um evento que participei junto com as crianças, deu muitas dicas e passou informações importantes. Entre elas, indicou que eu incluísse oleaginosas (principalmente nozes) na alimentação do Chico e, além disso, sempre incentivar a ingestão de fibras, por meio de alimentos como frutas, verduras, legumes e sementes. Então, ele consome principalmente laranja, mamão, pera e linhaça. O consumo de fibras deve ser estimulado pois facilita a evacuação, prejudicada por conta de diversas alterações do trato gastrointestinal e da hipotonia, no caso do Chico.

Ela recomendou também o consumo de alimentos ricos em zinco e selênio, pois são minerais que têm efeito antioxidante e que reforçam o sistema imunológico. O grupo das oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas, pistache, avelã e outras) são ricas em zinco, selênio e também ômega-3, que atuam no sistema nervoso melhorando a resposta e a cognição.

Devido à hipotonia (diminuição dos tônus musculares) presente na Síndrome de Down, é bem comum ocorrer obstipação intestinal, dificuldades de sucção, deglutição e mastigação. Com grande frequência
as crianças apresentam dificuldade de alimentação e se recusam a comer pedaços mais consistentes.

Muitas mães têm receio em alterar a consistência pastosa para uma alimentação mais branda, com medo de que a criança se engasgue, por exemplo, mas não progredir com a consistência da alimentação acaba
prejudicando o desenvolvimento da criança, segundo a nutricionista.

A alimentação saudável dos nossos filhos se deve também aos exemplos que damos. Em nossa casa, optamos por alimentos frescos e menos processados, sempre fazemos as refeições na mesa, sem televisão ligada, para que não haja distrações. Ela pode atrapalhar e tirar o foco desse processo de
conhecimento de novos alimentos e do interesse das crianças em comer.

Outras dicas importantes dadas pela nutricionista Vitória Siqueira são:
1-Mastigar bem o alimento;
2- Colocar pequenas porções de comida de cada vez na boca (procure usar talheres pequenos afim de proporcionar quantidades pequenas);
3- Comer poucas quantidades com intervalos de 3 – 4 horas;
4- Organizar uma dieta equilibrada, não só para criança, mas que todos os membros da família possam aderir, incentivando e servindo de exemplo;
5- Evitar desde cedo a oferta de refrigerantes e alimentos ricos em açúcares e outros carboidratos refinados.

A alimentação também tem um grande impacto no desenvolvimento motor, cognitivo e da comunicação. Entre esses alimentos estão:

1-O Ovo, rico em colina, uma vitamina do complexo B, que regulariza de forma indireta a memória, a cognição e entra no controle da frequência cardíaca, da respiração e da atividade dos músculos;
2-Grão de bico, que tem triptofano, aminoácido utilizado pelo cérebro que, junto com a vitamina B3, a niacina (ou niacinamida) e o magnésio produzem a serotonina, importante para o sono e o humor;
3-Cacau fonte de serotonina, neurotransmissor que atua no cérebro e em outros sistemas do corpo e proporciona a sensação de bem-estar;
4-Cúrcuma, que tem efeito anti-inflamatório e é um antioxidante natural;
5-Peixe e alga contêm DHA, ácido graxo vital para o desenvolvimento e manutenção da saúde;
6-Abacate e folhas escuras contêm luteína, carotenóide utilizado como antioxidante e na prevenção da degeneração ocular;
7-Oleaginosas contêm ômega 3/6/9, ácidos graxos essenciais que são responsáveis por um melhor funcionamento de nosso organismo;
8-Castanha Pará, fonte de selênio,um mineral fundamental a diversos processos do nosso organismo, pois atua no interior das células reduzindo os radicais livres.

* Sugestões de peixes de água salgada e profunda. Ex: Atum cavala,
cavalinha arenque, sardinha.

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