A educação bilíngue na primeira infância. Vale a pena investir?

Por Maria Cláudia Aravecchia Klein

Falar mais de uma língua é um diferencial positivo nas diferentes fases da vida, por isso é cada vez mais comum papais e mamães brasileiras optarem por matricular seus filhos(as) em escolas bilíngues ou internacionais logo na primeira infância.

Realizada recentemente pela Universidade de Montreal, uma nova pesquisa mostrou que as pessoas bilíngues garantem o poder da mente por mais tempo, prevenindo o envelhecimento cognitivo. O estudo liderado pela médica Ana Inés Ansaldo do centro de pesquisas geriátricas da universidade, apontou que o bilinguismo pode tornar o cérebro mais eficiente e econômico na forma como conduz a realização de determinadas tarefas. 

Com base na observação de um grupo de idosos bilíngues e monolíngues sobre como eles desempenhavam determinadas atividades, que envolviam focar em informações visuais ao mesmo tempo em que deveriam ignorar a informação espacial, os bilíngues mostraram ter maior conectividade entre as áreas cerebrais de processamento visual posteriores. Isso comprovou que eles recrutam menos regiões do cérebro para completar uma tarefa. “Depois de anos de prática diária gerenciando a interferência entre duas línguas, os bilíngues tornam-se especialistas na seleção de informações realmente relevantes e ignoram aquelas que possam distraí-los”, afirmou a médica em entrevista à Gazeta de Montreal. 

Quanto mais cedo começar, melhor

Segundo Carolina Loyolla Ataide, graduada em Pedagogia, pós graduada em Alfabetização, e coordenadora pedagógica da Maple Bear Santo André, quando iniciado na primeira infância, o aprendizado de outras línguas se dá de forma mais natural e sem traumas. “É comum ouvir falar de pessoas que sofreram para aprender inglês na vida adulta ou até mesmo na adolescência. Conforme muitos estudos sobre bilinguismo costumam dizer que as crianças que aprendem a segunda língua antes dos seis ou sete anos acabam ativando uma área diferente do cérebro que as ajudará futuramente em diversas habilidades, como: raciocínio lógico, capacidade de concentração e memorização, além de ajudar a evitar sotaques ou erros no momento de utilizar a segunda língua”, explica Carolina. 

De acordo com ela, as crianças dentro de uma escola bilíngue não aprendem palavras isoladas, vocabulário específico, ou linguagem apropriada para cada situação ou ambiente. “Ela aprende artes, matemática, ouve histórias ou canta músicas usando outra língua. O inglês se torna o CANAL e não o OBJETO de aprendizagem, como acontece em uma escola de idiomas. Os professores usam o inglês como se a criança já soubesse o que está sendo falado, assim como acontece quando um bebê ouve seus pais falarem com ele nos seus primeiros meses de vida. No princípio, é comum não entender, mas após algum tempo nesse treino diário, já compreende tudo o que lhe é dito. Porém, a criança responde da sua forma, e mais pra frente passa a ser entendida por meio de palavras e frases mais complexas. Portanto, quando imersa em um contexto bilíngue desde cedo, a criança aprende a segunda língua da mesma forma que acontece com a sua língua materna. Isso mostra o quão íntima estará com o inglês e quão natural o processo se torna”, orienta Carolina. 

Na Maple Bear Santo André, o pedagógico é 100% realizado em inglês para os pequenos da Educação Infantil e, mais para frente, o português também é oferecido, por fazer parte da vida e da cultura dos alunos. Mas, na opinião da coordenadora, é na primeira infância quando as crianças precisam criar raízes e se sentir confiantes na língua, para que o processo de aprendizagem não seja traumático, e sim prazeroso.

A criança dá conta do recado, sim!

No que tange o processo de alfabetização, Kate Gallo, pós graduada em Bilinguismo e sócia-mantenedora da Great Kids Bilingual School, em Santo André, acredita que uma das vantagens do aprendizado do inglês logo nos primeiros anos de vida é a naturalidade com que o novo idioma é introduzido na vida escolar. “Quando a criança é exposta a mais de um idioma desde cedo ela é mais criativa e desenvolve melhor as habilidades de resolução de problemas, além de apresentar um melhor desenvolvimento cognitivo para a linguagem.  Introduzir um segundo idioma, ainda que seja somente nos primeiros anos de vida da criança, a ajudará a programar os circuitos cerebrais para que lhe seja mais fácil aprender novos idiomas no futuro”, orienta a especialista. 

Com uma proposta mais intimista e com uma estrutura mais enxuta, a Great Kids é especializada em educação infantil, a partir do berçário. “A criança aprende por meio da brincadeira, da experiência e da construção. Dentro da escola, a língua inglesa é utilizada de forma significativa e convidativa. Acreditamos que a melhor metodologia de ensino para a escola bilíngue é a sócio-construtivista, metodologia a qual adotamos. A criança participa ativamente do processo de aprendizagem e é exposta  às situações reais do cotidiano utilizando a língua alvo, além disso são estimuladas para a curiosidade e o gosto pela descoberta.  A metodologia sócio-construtivista também promove a interação com o outro e com elementos do meio em que vivem, que é onde a comunicação é construída”, conta Kate. 

Muitos pais acham que aprender um segundo idioma confunde e atrasa o desenvolvimento linguístico, mas já se sabe que o bilinguismo melhora a escrita e a comunicação verbal. A criança faz a transferência de uma língua para a outra, pois quando ela entende o código, só efetua uma mudança, ou seja, uma transposição de som. 

Segundo ela, a diferença principal entre uma escola de idiomas e uma escola bilíngue é que na escola bilíngue a criança não aprende inglês, ela aprende EM inglês! “Todas as atividades são desenvolvidas no idioma: culinária, ciências, matemática, jogos etc, o que ajuda no processo de internalização da língua de uma forma natural e espontânea, levando a criança a vivenciar a língua de forma prática e real no cotidiano”, explica. 

A Grow Up Bilingual School, em Santo André, também oferta o ensino bilíngue do inglês pela imersão. “Nossa proposta é de vivência no idioma, ou seja, toda a nossa rotina escolar é feita em inglês. Isso inclui os momentos das refeições, as brincadeiras no parque, a prática de esportes na quadra e em todas as sequências didáticas de sala de aula. Como a professora e a auxiliar são referência no idioma para a criança, toda a comunicação entre elas e com elas é feita em inglês. Utilizamos o idioma como meio para o desenvolvimento e não como fim, como acontece nas escolas de cursos complementares”, esclarece a proprietária e diretora da escola Cristiane Alves, que é formada em Letras pelo Centro Universitário Fundação Santo André, certificada internacionalmente pela Universidade de Cambridge (CPE/CAE/CELTA) e formada em Coaching Integral Sistêmico pela Febracis.

Para ela, aprender outro idioma ainda na primeira infância desperta a curiosidade e instiga a criança. “Além de estimular as funções cognitivas, o que consequentemente vai facilitar, lá na frente, o aprendizado de outras disciplinas. Muitos estudos já demonstraram que as vantagens são inúmeras: aumento da agilidade mental, melhor verbalização, boa memória, melhora da atenção, rápida assimilação de novas informações e atitudes positivas em relação às outras culturas. 

De acordo com Cristiane o bilinguismo pode ser facilitado pelas novas tendências atuais no processo educacional. “O modelo tradicional de ensino não se mostra mais efetivo, ou seja, ficar em uma sala de aula, enfileirado com a professora na frente passando o conteúdo não converge com o perfil das crianças matriculadas atualmente nas escolas. A criança precisa ser agente ativa no seu processo de aprendizagem para a educação ser realmente significativa. Experimentar, vivenciar e colocar a mão na massa é fundamental. A proposta de transdisciplinaridade já é abordada em algumas escolas do Brasil. A ideia é que o conhecimento seja visto sem fronteiras disciplinares. Há uma sobreposição tal que é impossível identificar onde começa uma disciplina e onde ela termina”, salienta Cristiane.

Escola bilíngue, escola internacional ou escola de inglês?

Escola bilíngue: Trabalha o currículo pedagógico brasileiro em inglês. O aluno é preparado para cursar uma universidade no Brasil ou no Exterior. 
Escola Internacional: Está habilitada a trabalhar o currículo e o idioma do país de origem, adotando até mesmo o calendário. O aluno é preparado para estudar em universidades no exterior.
Escola de inglês: São aulas semanais, com conteúdos gramaticais e conversação. Não há trabalho com conteúdo acadêmico. São aulas técnicas para aprendizado “mecânico” de outro idioma.

Mais informações:

Maple Bear Santo André:  Rua Jaguará, 269, Bairro Campestre, Santo André. Tel.:(11) 2157-5757 Facebook: @mbsantoandre e site www.maplebear.com.br/santoandre

Great Kids Bilingual School: Alameda São Caetano, 519, Bairro Jardim, Santo André. Tel.: (11) 2324-8964. Facebook: @gr8kidsschool e site www.greatkids.com.br 

Grow Up Bilingual School: Rua Japão, 1058, Parque das Nações, Santo André. Tel.: (11)  97662-5536. Facebook: @growupescola e site www.growupescola.com.br 

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