A luta de uma mãe para o seu bebê conseguir andar

Por Maria Cláudia Aravecchia Klein

O final da gestação não foi fácil para Danielle Marques Leopoldino Jesser, 28 anos de idade. Grávida do primeiro filho, ela passou por uma angústia antes mesmo do bebê nascer ao ser informada pela médica durante uma ultrassonografia morfológica de rotina, na 22ª semana, que havia algo errado com as perninhas do seu bebê.

Dai por diante, boa parte do seu tempo passou a ser dedicado às idas e vindas às clínicas e hospitais para acompanhar todo o desenvolvimento ainda na barriga. Tudo por que havia indícios de que o seu futuro bebê teria dificuldades na complexa arte de se locomover. 

Paulista, ela é casada com Gileade Jezer Morocutti Jesser. Os dois planejaram a gravidez e desejavam muito ter filho. Depois de três anos veio o teste positivo. “Eu sempre quis casar, e ser mãe era o meu maior sonho!”.

Quando foi informada que as pernas do bebê não estavam se mexendo normalmente e viu o marido ser chamado para conversar em particular durante o exame morfológico, Danielle começou a chorar. Sabia que havia realmente algo de errado. A princípio a notícia deixou o casal sem chão. Junto com o obstetra que realizaria o parto, começaram os exames para saber do que realmente se tratava. Mas, não encontramos indícios da hemimelia tibial, que consiste em anomalias no desenvolvimento da tibial.  “Não foi fácil, mas Deus me deu forças!  Eu pensava: É tão raro, um em cada um milhão de casos. E se Deus me escolheu no meio de um milhão de mulheres é porque sou capaz. Ele irá me capacitar e direcionar o melhor para nós!  O meu esposo também ajudou muito”.

“Antes de nascer eu vivi um misto de alegria e apreensão, pois sabia que ele seria levado para a UTI e submetido a uma série de exames logo após o nascimento”, lembra Danielle.

O marido deu todo o suporte, principalmente depois que um médico, ainda na maternidade, disse para Danielle quando ela estava sozinha, dias após o parto, que o melhor no caso do seu filho seria a amputação. “Enquanto estava na UTI, pela segunda vez, para amamentar o Matteo, o médico ortopedista me deu o diagnóstico da hemimelia tibial e disse com clareza e em bom tom: se você quiser dar qualidade de vida para essa criança o melhor é amputar as pernas dele”.

Foi muito difícil ouvir isso. Danielle conta que a mesma recomendação foi dada em outra clínica especializada. Mas, ela não desistiu. Começou a pesquisar por conta própria e encontrou um médico em Curitiba, no Paraná, com casos bem-sucedidos de reconstrução semelhantes.

Segundo ela, os próximos passos para o tratamento do Matteo começam agora no dia 10 de setembro, quando será feita a primeira cirurgia, na qual o médico colocará os fixadores externos para corrigir os pezinhos dele. “Depois, ainda, tem a segunda cirurgia que é a principal. Quando será feita a reconstrução óssea das duas perninhas para que ele possa andar. Essas primeiras etapas vão durar em média dez meses. Porém, o tratamento completo vai até a adolescência dele. Hoje, ele tem 1 aninho e 6 meses”, afirma confiante.

Ela conta que a rotina é corrida e puxada, assim como a de toda mãe com bebê pequeno em casa. “Eu fico sozinha com ele o dia todo até o horário que o pai chega, no começo da noite”. Sobre a vida profissional ela conta que já tinha o desejo de parar de trabalhar e se dedicar ao bebê. E quando soube que ele iria precisar de consultas com fisioterapeutas e médicos, isso só reafirmou que ela realmente deveria parar por um tempo. “Hoje só meu esposo trabalha. Porém, comecei a vender aromatizador de ambientes, sabonetes líquidos para ajudar“.

“Não foi fácil e não é fácil saber que seu filho terá que passar por cirurgias enquanto que a maioria dos bebês com esta idade já estão andando e ele não. Mas, tanto eu quanto meu esposo estamos em paz e felizes sabendo que estamos no caminho certo, que dará tudo certo ! O nosso maior sonho é ver ele dar o primeiro passo…andar..sair correndo por aí…jogar bola ! E sair contando pra todo mundo que pra Deus nada é  impossível!  Que tudo é possível quando cremos !”, conclui.

Vamos ajudar o Matteo a andar???

 

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